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RONCO, APNEIA DO SONO E SAÚDE BUCAL
Odontologia do sono em Brasília — avaliação, rastreio e acompanhamento odontológico
O ronco e a apneia do sono são condições frequentes e, muitas vezes, subestimadas. O ronco pode parecer apenas um incômodo noturno, mas em alguns casos pode estar associado a alterações respiratórias importantes durante o sono.
A apneia obstrutiva do sono acontece quando há episódios repetidos de obstrução parcial ou total da passagem de ar enquanto a pessoa dorme. Essas interrupções podem reduzir a oxigenação, fragmentar o sono e comprometer a recuperação do organismo durante a noite.
Nem todo ronco significa apneia. Mas ronco frequente, sono não reparador, cansaço diurno, pausas respiratórias percebidas por outra pessoa, boca seca ao acordar e dor de cabeça matinal são sinais que merecem investigação.
O que a apneia do sono pode causar
Na apneia obstrutiva do sono, a musculatura da garganta relaxa durante o sono e pode dificultar ou bloquear a passagem de ar. O organismo percebe essa alteração e reage com pequenos despertares, muitas vezes imperceptíveis para o paciente, para restabelecer a respiração.
Esse ciclo pode se repetir várias vezes ao longo da noite. A pessoa pode dormir por muitas horas e, ainda assim, acordar cansada, irritada ou com sensação de sono não reparador.
As consequências vão além do cansaço. A apneia do sono não tratada pode estar associada a hipertensão arterial, maior risco cardiovascular, alterações metabólicas, dificuldade de concentração, irritabilidade, sonolência diurna, dores de cabeça matinais e piora da qualidade de vida.
A relação entre sono, boca e respiração
A Odontologia tem um papel importante na identificação de sinais bucais e funcionais que podem estar relacionados aos distúrbios respiratórios do sono.
A posição da mandíbula, o volume da língua, o padrão de respiração, a anatomia das vias aéreas superiores, a presença de bruxismo, o desgaste dental, a respiração bucal, a boca seca e a tensão muscular podem ajudar a compor esse quadro clínico.
Por isso, em muitos pacientes, o primeiro sinal de que algo não vai bem durante o sono aparece na boca.
Ronco, apneia, bruxismo e refluxo
Em pacientes que roncam ou apresentam suspeita de apneia, é comum encontrarmos outros sinais associados, como bruxismo, apertamento dental, episódios de refluxo gastroesofágico, boca seca e desgaste dentário acelerado.
O refluxo ácido pode contribuir para a biocorrosão dos dentes, especialmente quando associado a apertamento, ranger dos dentes, baixa salivação, respiração bucal e sobrecarga mastigatória. Em alguns casos, essa combinação pode gerar perda progressiva de estrutura dental, alteração da mordida, sensibilidade e envelhecimento precoce da boca.
Esse quadro exige uma leitura mais ampla. Não basta olhar apenas para o dente desgastado. É preciso entender se existe relação com sono, respiração, refluxo, bruxismo, hábitos, dieta, medicações, salivação e saúde sistêmica.
Quando a placa de bruxismo pode não ser a melhor resposta
Um ponto importante: pacientes com ronco importante ou suspeita de apneia precisam ser avaliados com cuidado antes da indicação de placas miorrelaxantes convencionais.
Em alguns casos, o bruxismo durante o sono pode estar relacionado aos microdespertares respiratórios. Ou seja, a atividade muscular da mandíbula pode aparecer como parte da resposta do organismo a episódios de obstrução da via aérea.
Por isso, quando há suspeita de apneia ou distúrbio respiratório do sono, a placa miorrelaxante não deve ser indicada de forma automática. Ela pode proteger os dentes em alguns contextos, mas não trata a respiração e pode não ser a melhor escolha se o problema principal estiver relacionado à via aérea.
Antes de indicar uma placa, é necessário avaliar o sono, o padrão respiratório, os sinais bucais, a musculatura, a articulação temporomandibular, o desgaste dentário e a possibilidade de encaminhamento médico.
Como avaliamos no Instituto
No Instituto Dra. Rivane Laudares – Odontologia e Saúde, a avaliação começa com uma anamnese detalhada sobre qualidade do sono, ronco, pausas respiratórias observadas, cansaço diurno, dores de cabeça ao acordar, bruxismo, respiração bucal, boca seca, refluxo, histórico de saúde geral e uso de medicamentos.
Também avaliamos dentes, mordida, musculatura mastigatória, articulação temporomandibular, padrão de desgaste dental, sinais de biocorrosão, sinais de apertamento e características bucais que possam ter relação com a respiração durante o sono.
Quando há sinais compatíveis com distúrbios respiratórios do sono, podemos indicar a polissonografia tipo 4, realizada com o dispositivo Biologix, disponível no próprio consultório.
Esse exame auxilia no rastreio de alterações respiratórias durante o sono e contribui para decisões clínicas mais precisas. Ele não substitui a avaliação médica, mas ajuda a identificar sinais que podem justificar encaminhamento para investigação diagnóstica.
Nos casos em que o exame ou a avaliação clínica indicam alterações relevantes, fazemos o encaminhamento para o médico especialista — pneumologista, otorrinolaringologista, neurologista ou médico do sono — para diagnóstico definitivo e definição da melhor conduta.
E o dispositivo de avanço mandibular?
O Dispositivo de Avanço Mandibular, conhecido como DAM, é um aparelho intraoral personalizado utilizado durante o sono em casos selecionados de ronco e apneia obstrutiva do sono.
Ele posiciona a mandíbula de forma controlada e levemente anteriorizada, favorecendo a passagem de ar pelas vias aéreas superiores. Em alguns pacientes, pode ser indicado como alternativa ou complemento ao CPAP, sempre dentro de um plano definido a partir do diagnóstico médico e da avaliação odontológica adequada.
Atualmente, no Instituto, a prioridade é a avaliação odontológica do sono, o rastreio com polissonografia tipo 4, a identificação dos impactos bucais do ronco, da apneia, do bruxismo e do refluxo, além do encaminhamento e integração com profissionais especializados quando necessário.
Quando há indicação para uso de dispositivo intraoral, o caso é avaliado individualmente, considerando histórico clínico, exame do sono, condição bucal, presença de refluxo, padrão de mordida, ATM, desgaste dental e possibilidade de trabalho integrado com profissional habilitado para confecção e acompanhamento do dispositivo.
Sinais que merecem avaliação
- ronco frequente ou intenso;
- pausas na respiração durante o sono observadas por outra pessoa;
- acordar com dor de cabeça;
- sensação de sono não reparador;
- sonolência excessiva durante o dia;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração ou memória;
- acordar com boca seca ou garganta seca;
- respiração bucal;
- bruxismo ou apertamento dental associado;
- refluxo, azia ou sensação de garganta irritada ao acordar;
- desgaste dental acelerado;
- sensibilidade nos dentes;
- restaurações ou próteses quebrando com frequência;
- cansaço mesmo após uma noite inteira de sono.
Se você reconhece alguns desses sinais em você ou em alguém próximo, vale fazer uma avaliação.
A investigação correta ajuda a entender se o ronco é apenas um sinal isolado ou se pode estar relacionado a alterações respiratórias do sono, refluxo, bruxismo e desgaste dental acelerado.
Instituto Dra. Rivane Laudares – Odontologia e Saúde
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